quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

100 anos depois os navios melhoraram, as pessoas não

Navio Costa Concordia após o naufrágio na costa Italiana
            
              É inevitável olhar para as imagens do navio Costa Concordia e não se lembrar da maior tragédia marítima com um navio de passageiros. O acidente com o Titanic em 1912 mudou os rumos da navegação de passageiros ao redor do globo e fez com que as empresas e entidades que fiscalizam a forma de transporte criassem novas medidas e formas de tornar a viagem mais segura. Porém ao ler as notícias que chegam do mediterrâneo nos leva a refletir se apenas medidas externas são capazes de evitar grandes tragédias ou se a atitude das pessoas envolvidas pode transformar um acidente em uma tragédia ainda maior. Digo isso fazendo um simples paralelo entre o trágico naufrágio de 1912 e este de 2012, cem anos depois do terrível naufrágio do Titanic que ocorreu no atlântico norte, longe da costa e não havia botes para todos a bordo logo que o navio se colidiu com o iceberg o caos se instaurou no navio, principalmente nas 2º e 3º classes que foram trancadas para que a 1º classe pudesse sair primeiro já que não havia botes suficientes para todos, porém mesmo com todo o caos é comum nos relatos dos sobreviventes histórias heróicas de homens que salvaram várias vidas ajudando a colocar mulheres e crianças nos botes sem saber se eles mesmo conseguiria bote para sair do navio posteriormente. Ou então o belíssimo exemplo de honra e dignidade que deu o capitão Edward John Smith que ficou no Titanic até o fim.
           
Capitão do Costa Concordia sendo detido

             Em contra partida parte do caos que se instaurou no Costa Concordia se deve ao simples fato da perda de valores simples como respeito ao próximo, responsabilidade na função exercida e desrespeito as normas. O diálogo entre o capitão Francesco Schettino e o chefe da guarda costeira italiana De Falco comprovam o abandono e o descaso que o capitão teve com o navio, a tripulação e os passageiros, e como não bastasse o ato do capitão que fugiu do navio a cada dia surgem relatos de passageiros do Costa Concordia que mostram não haver mais a prioridade de mulheres e crianças, relatos chocantes como de homens retirando mulheres e crianças da frente para poder entrar nos botes, isso em um navio com estrutura para retirar todos os passageiros sem maiores problemas, coisa que não ocorreu no Titanic onde não havia botes para todos.
            No fim das contas se vê que as melhorias na estrutura, na capacidade de socorro e melhoria na comunicação não são capazes de sozinhas garantir segurança e tranquilidade. Na verdade o que dá esta garantia são valores que a cada dia se perdem mais. Com todos os relatos que até agora saíram fica difícil imaginar o tamanho da tragédia caso o Costa Concórdia estivesse naufragado em situações semelhantes a do Titanic. 100 anos depois da maior tragédia marítima se vê uma situação desesperadora, no Titanic o resultado só não foi pior pela ação do Capitão, da tripulação e por que não dos passageiros que em certos casos foram verdadeiros heróis, alguns até mesmo dando a própria vida para liberar os botes, já no Costa Concordia o caos se instaurou lógico pela situação do naufrágio mas foi agravada pela sequência de atitudes descabidas principalmente do covarde capitão que fugiu do navio, da tripulação e até mesmo dos passageiros. Fica a lição, precisamos restaurar valores básicos em nossas sociedades.

Nenhum comentário:

Postar um comentário