segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Tudo pela Copa 2014, inclusive apagar a história

      

          No último sábado o Rio de Janeiro esteve perto de um enfrentamento entre a Tropa de Choque da Polícia Militar e a Tribo de Índios e ativistas que defendem a aldeia Maracanã. Toda a polêmica foi criada quando o projeto de reforma do Estádio do Maracanã foi apresentado e aprovado para a Copa de 2014 que será realizada no Brasil. No projeto, seria necessária a demolição e reintegração de posse da área onde hoje funciona o antigo Museu do índio em um prédio histórico de 1862, uma escola Municipal e uma tribo de Índios. Inicialmente o governo alegou que a reintegração da área foi uma exigência da FIFA para realização do evento, fato este que foi desmentido como disse ao Jornal do Brasil o defensor público federal, que classificou o caso como um absurdo, sobre o cerco da tropa de choque ele disse ao JB:
"É a segunda vergonha do governo. A primeira foi afirmar que a demolição era uma exigencia da FIFA. Mentira. Questionada pela Defensoria, a FIFA desmentiu. Disseram que jamais pediriam isso. A segunda é a tropa de choque indo embora sem decisão judicial".(JB)
          O clima ficou tenso e os Índios ameaçavam defender com as próprias vidas se fosse necessário a área onde está localizada a aldeia e o prédio do período Imperial do Brasil. Este é mais um exemplo do descaso governamental com a história e a memória de nosso país, a área segundo o projeto de reforma do Maracanã daria lugar ao novo estacionamento do Estádio, como pode ser visto nas imagens abaixo:
Vista superior do Complexo do Maracanã com a aldeia marcada em vermelho.
Vista do projeto do Maracanã para 2014, a área com a torre seria construída onde hoje está o antigo museu do Índio e a escola.
          O governo estadual chegou a prometer a transferência do museu para outra área, porém os ativistas e índios dizem que a questão não é só essa, com as demolições a cidade do rio de Janeiro perderia um prédio centenário de alto valor histórico.

A questão da concessão

          Para piorar ainda mais a situação o governo pode entregar o complexo recém construído para ser gerido por uma das empresas de Eike Batista. Depois de proibir os 4 grandes clubes do Rio de participarem da licitação para administrar o Maracanã tudo indica que ele irá ficar mesmo nas mãos de Eike. Tudo porque sua empresa, a IMX teria ajudado nos projetos de viabilidade economica e no edital de concorrência. Tudo isso levantou suspeitas do Ministério Público que investiga irregularidades , porém o processo está a passos lentos.

          O custo das obras para a Copa 2014 só aumentam e ainda tem problemas estruturais e jurídicos como este, parece que o governo quer resolver tudo de qualquer forma e sem pensar nas futuras consequencias. Dinheiro público e história sendo jogados fora em nome de uma Copa e uma Olímpíada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário