segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Novo Papa, expectativas velhas e mais frustrações




O mundo que foi pego de surpresa após o último dia 11/02/2013 com o anúncio da renúncia do Papa Bento XVI começa agora a especular o que virá para a Igreja com a eleição de um novo líder para a Igreja Católica. E este é um caminho complicado, pois geram expectativas e esperanças que podem e algumas não irão se concretizar que podem decepcionar.

Após Bento XVI anunciar que não ocupará o trono de São Pedro a partir de 28 de fevereiro deste ano, a mídia de todo o globo voltou à mesma polêmica que varreu a mídia após a morte de João Paulo II em 2005. A mídia então iniciou uma corrente de especulações e suposições sobre como seria o novo papado e como a Igreja reagiriam às expectativas e realidades do mundo moderno após o longo pontificado de João Paulo II que marcou o mundo e cativou até mesmo os não católicos. Esperou-se então um papa na mesma linha, carismático e extrovertido, que dialogasse com a diversidade, mesmo que João Paulo II não tivesse aberto mão de nada na Igreja, seu carisma fez com que o mundo esperasse por um sucessor que se “abrisse” para o mundo. A fumaça branca saiu do teto da Capela Sistina e o mundo aguardou com expectativa a primeira aparição do novo papa. Joseph Ratzinger apareceu então, jogando no chão todas as expectativas de mudanças até então previstas, simplesmente por ser um conservador conhecido. Foi prefeito da Congregação para doutrina da Fé durante quase todo o pontificado de João Paulo II, havia participado de forma direta no Concílio Vaticano II além de ser um teólogo altamente respeitado, o maior teólogo vivo. A Igreja então estava nas mãos de um intelectual do mais alto gabarito e conservador. O mundo não viu as mudanças que esperavam na Igreja. Bento XVI se fechou para o mundo e se dedicou a problemas e debates internos da Igreja, sem se afastar dos problemas do mundo. Para quem acompanha o dia-a-dia da Igreja tomou importantes decisões internas que fortaleceram a tradição e buscaram frear as intervenções externas da Igreja.
No ano de 2012 houve rumores e algumas notícias que apontavam para uma renúncia de Bento XVI, fato que não fere em nada o magistério da Igreja, mas que para muitos seria algo inimaginável, o último papa que havia tomado esta decisão o fez há 600 anos. Mesmo sendo algo previsto no magistério não é algo comum de ocorrer na história da Igreja. Porém ocorreu, em 11 de fevereiro de 2013, Bento XVI anuncia que deixará o posto de pastor universal dos cristãos em 28 de fevereiro do mesmo ano exatamente às 20h, hora local de Roma, que é quando termina seu horário de serviços. A notícia varreu o mundo, e assim como aconteceu após a morte de João Paulo II, as suposições, apostas e especulações voltaram. Com uma sutil diferença, o Papa não havia falecido.
Especulações e suposições fazem parte da mídia, porém até elas tem seus limites. E acredito que só há dois motivos para as especulações e suposições que estão sendo feitas a respeito do novo papa e sobre as posições da Igreja no futuro. Ou um profundo desconhecimento do funcionamento interno das regras e normas que regem a Igreja Católica ou uma tremenda má fé por parte destes veículos para levarem seus leitores e telespectadores a criarem falsas expectativas. Quem conhece um pouco mais da doutrina, do magistério e das normas da Igreja Católica sabe que certas coisas não devem ser esperadas simplesmente por não poderem ser feitas de acordo com as normas, regras e doutrina da Igreja.
A eleição de um novo papa passa bem longe da eleição de um novo presidente ou de senadores e deputados. Nestas eleições os eleitos são escolhidos para atenderem e defenderem os interesses de quem os elegeu, daqueles que votaram para que ele chegasse ao poder. A Igreja não é uma democracia. O magistério da Igreja não autoriza, por exemplo, que um papa revogue uma determinação de outro papa sobre valores, doutrina e fé, se esta determinação tiver sido feito “ex cathedra”, ou seja, de forma oficial e definitiva.
Portanto, não vejo motivos para estas expectativas modernistas e reformistas que estão sendo anunciadas e aguardadas para o próximo pontífice. Não é assim que a Igreja trabalha e não será a pressão da mídia que fará com que ela mude. Acredito que muitos entenderam de forma equivocada as palavras do anúncio de renúncia de Bento XVI quando disse não ter mais forças e vigor para fazer aquilo que precisava ser feito, e que talvez um Papa mais jovem fosse o melhor para a Igreja, ao dizer isso creio que ele espere um papa capaz de tomar as providencias necessárias para que a doutrina e os ensinamentos da Igreja sejam mantidos e não alterados ou adaptados como espera muitos. O tão esperado papa progressista não virá, pelo contrário, manterá o posicionamento contra o aborto, casamento gay e controle de natalidade. Portanto vejo que é hora de ver as coisas com seriedade e menos ilusão, quem espera ver estas mudanças na Igreja, tenho um conselho, não se iluda. E se for alguém que se diz católico e também aguarda tais mudanças com o novo papa, creio que este é um bom momento para refletir e repensar sua fé.


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