segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O mito da nova casse média


 Na última semana houve uma comemoração no PT pelos 10 anos no poder, algumas coisas chamaram a atenção nesta comemoração, uma delas foi um partido comemorar estar a 10 anos na presidência do país, outra foram os ataques ao governo anterior numa tentativa de responder aos ataques proferidos por Aécio Neves no congresso e por último e não menos importante foi a insistente afirmação da retirada em massa de parte da população brasileira da miséria e o nascimento e crescimento de uma nova classe média, e é sobre isso que se trata este texto.
 Ninguém nega que houve mudanças na qualidade de vida dos brasileiros, e não faltam candidatos para o agente que propiciou esta melhoria de vida no país. Sendo um pouco crítico, não vejo um salvador da pátria neste sentido. O que se percebe analisando os últimos 15 anos foi uma sequência de decisões governamentais que foram implantadas e ampliadas por diferentes governos que impedem, por exemplo, o atual governo se vangloriar exclusivamente por esta melhoria na qualidade de vida do brasileiro.
Que a vida do brasileiro vem melhorando, não há dúvidas, mas daí a dizer que o Brasil esta se tornando um país de classe média é uma ilusão que pode se mostrar perigosa para o atual governo no futuro, e talvez em um futuro não muito distante. A tática do governo de dizer que o Brasil esta se tornando um país de classe média é criar uma ilusão para que o brasileiro realmente creia que faz parte desta classe.
Como já disse, o Brasil está melhorando, mas ao contrário do governo eu diria que os brasileiros estão saindo da miséria e entrando na classe pobre mesmo. Ou seja, não estamos nos tornando um país de classe média, mas sim um país de pobres. E ainda há alguns casos preocupantes, que são dos brasileiros que saíram da miséria e entraram e se mantém na linha da pobreza graças a programas do governo como o Bolsa Família, ou seja, uma considerável parte da população brasileira só consegue se manter na linha da pobreza graças a programas sociais do governo.
Há também aqueles brasileiros que tiveram uma melhora de vida maior, que conseguiram ser, digamos, independentes financeiramente, mas ainda esbarram nos serviços prestados pelo governo, como saneamento básico, educação, transporte e saúde. Esta é uma parcela interessante da sociedade, ela possui um considerável poder de compra, porém não o suficiente para se dar a certos luxos como uma previdência privada, um automóvel e plano de saúde. O sociólogo Jessé de Souza chama esta categoria de brasileiros de a nova classe trabalhadora do país, e é esta a categoria de brasileiros que o governo trata como a nova classe média brasileira, que como já vimos é no mínimo uma ilusão.
Mas porque será então que o governo insiste nesta nova classe média? Esta é uma pergunta justa que deve ser feita, e a resposta é muito simples, ele está se baseando apenas na renda das famílias, desconsiderando outros fatores importantíssimos para se definir uma verdadeira classe média, aquela clássica conhecida. Conceitos como condições sociais, morais e culturais, segundo Jessé de Souza, são deixados de lado pelo governo na hora de definir esta nova classe média, porém ele considera um erro, já que são estas características que tornam possível que uma família tenha hábitos e comportamentos daquilo que é típico da classe média.
O Brasil não é, e esta bem longe de ser um país de classe média, a ilusão que o governo da última década quer fazer todos acreditar que existe, só existe em seus números e em seus discursos. Um país de classe média não se constrói somente tomando como base a renda das famílias, é preciso que estas famílias tenham acesso e condições de desfrutar de serviços básicos a todo cidadão e só isso já é um grande desafio ao governo brasileiro, e não é de hoje. Não é possível em pensar em um país de classe média quando não é proporcionado nem ao menos o básico a população. Transformar o Brasil em um país de classe média não pode ser uma ação de marketing ou uma manobra de manipulação de estatísticas para promover um determinado governo ou partido político, transformar o Brasil em um país de classe média passa por melhorar a qualidade de vida do brasileiro, e o básico deve ser garantido, nem ele não há como pensar em classe média. Como pensar em classe média com 35% dos brasileiros entre 15 e 49 anos como analfabetos funcionais e 50% com nível básico de habilidades de leitura, escrita e matemática (Ibope).  É preciso mais que renda, é preciso mais que poder de compra, é preciso educação, saúde, saneamento, cultura e entretenimento de qualidade. Quando o governo puder proporcionar o básico a sua população e com qualidade, poderá pensar em criar um país de classe média, enquanto isso seria bom que voltasse à realidade do país.

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