sexta-feira, 1 de março de 2013

O Brasil é um péssimo ator em um ótimo cenário



Se o cenário mundial pudesse ser comparado ao teatro, o Brasil seria um péssimo ator no melhor cenário. Durante toda a década de 90, não faltaram reclamações acerca do protecionismo dos produtos dos países ricos, da dependência brasileira dos órgãos financeiros internacionais e a falta de oportunidade dada aos países emergentes como o Brasil para se desenvolverem e concorrer de forma justa no mercado internacional. Pois bem, o Brasil conseguiu o que queria. Melhorou a negociação de seus produtos no exterior, se projetou no cenário econômico na década de 2000 e de quebra viu os principais mercados do mundo, EUA e EU entrarem em crise, abrindo caminho para que novas nações aparecessem no cenário mundial. Mas como já disse o Brasil não é um bom ator.

Sem ler o roteiro da peça e sem saber a hora de entrar em cena, o Brasil perdeu a sua deixa. Não reviu pontos importantes, como tributação, legislação fiscal e trabalhista. Também deixou de resolver importantes questões quanto a prestação de serviços à população como saúde, educação, segurança e transporte. Tudo isso fez com que o Brasil perdesse a melhor janela de desenvolvimento do último século, desde a proclamação da república o Brasil não via tantas possibilidades. Mas até para aproveitar oportunidades é preciso estar preparado, e o Brasil não está. O nosso jogo político prefere apagar incêndios que prevenir ou resolver os problemas. Perde tempo com picuinhas partidárias ao invés de buscar resolver os problemas que realmente afligem o brasileiro.
A revista The Economist publicou um ranking dos países emergentes com maior flexibilidade fiscal e monetária, e o Brasil é o 4º pior país economicamente para favorecer o crescimento e o desenvolvimento econômico. Em contrapartida países que antes disputavam espaço com o Brasil estão muito a frente e se destacando como México, Índia, Peru, Chile, Rússia, China e Arábia Saudita.
A parte triste da história é que as grandes potências como EUA e países europeus começam a mostrar pequenos sinais de recuperação econômica, enquanto o Brasil começa a preocupar com os últimos resultados pífios na economia, um PIB que só diminui, as indústrias tendo baixas produtividades e o consumidor ficando cada vez mais endividado. O Brasil começa a entrar no grupo de elenco de apoio, apostando em Copa do mundo, Olímpiadas e Bolsa Família para alavancar o progresso econômico e social do país.
Com estas apostas e sem uma seriedade de reformulação das políticas econômicas, sociais e políticas que realmente melhorem a condição de vida do brasileiro de forma efetiva e não só de forma estatística o Brasil corre o risco de ficar como figurante nesta peça.

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