terça-feira, 6 de agosto de 2013

A arte influcencia a vida




Utilizar a arte para demonstrar um pensamento ou difundir uma forma de pensar não é algo novo. Isso ocorre desde o momento em que o homem aprendeu a expressar suas a outros, ou seja, desde sempre, e independe a forma de transmissão, seja por arte gráfica, música ou arte cênica. Desde a metade do século XX há uma nova forma de difusão de formas de pensar no Brasil, a TV.

Hoje na TV chega aos lares brasileiros um remake de um grande sucesso da década de 1970 da Rede Globo, a novela Saramandaia. Esta novela já havia causado polêmica em sua primeira exibição pela sua temática política e por algumas características bizarras de alguns personagens. Como o Zico Rosado que quando nervoso põe formiga pelo nariz, o professor Aristóbulo que vira lobisomem e outros personagens da trama que são ao menos estranhos. Mas esta não é a questão deste texto, a questão é que este remake que está sendo apresentado não está gerando polêmica, o motivo disso talvez seja a distração das pessoas, mas o fato é que Saramandaia esta passando uma mensagem política e social que poucos têm percebido.

A temática da novela é simples, a trama se passa no município de Bole-bole e há um grupo, liderado pelo irmão do atual prefeito da cidade, que é vereador, decidido a mudar o nome da cidade para Saramandaia por meio de um plebiscito, e então a cidade é dividida entre Bole-bolenses e Saramandistas. Os Bole-bolenses se apresentam como defensores da tradição da cidade, liderados por Zico Rosado, ex-prefeito da cidade, e o professor Aristóbulo Camargo. Já os Saramandístas se colocam como portadores do novo, da modernidade, da juventude e tem como principal expoente João Gibão.

Vale prestar atenção em como os núcleos são apresentados, vejamos como os dois grupos são mostrados na trama e depois voltamos a falar em como ele ajuda na formação de um pensamento político e social.

Os Bole-bolenses

Os Bole-bolenses na novela são em sua imensa maioria a ala conservadora da cidade, os velhos e os mais antigos, são estes mais próximos da Igreja da cidade. Não possuem escrúpulos, chegando a forjarem um atentado a bomba ou falsificar um milagre do padroeiro da cidade para manter o nome da cidade. São caracterizados por serem pessoas rancorosas, sem vida e sem cuidados próprios como a personagem Dona Redondos que não cuida de si mesma e não aceita ouvir conselhos.

Os Saramandistas

Os Saramandistas na trama são representados em sua grande maioria como jovens inteligentes, honestos e imcapazes de cometer qualquer tipo de crime pela sua causa, sempre priorizando a democracia. São eles as vítimas das armações dos Bole-bolenses, porém não tramam nada ilegal contra seus adversários.

Voltando

Após fazer esta apresentação dos grupos, que é facilmente perceptível por quem assiste a novela, vamos à ideia central deste texto. Como a novela influencia na forma de pensar política e social.

Já na descrição dos grupos é possível perceber que existe uma clara diferença entre os dois. Mas estas diferenças não são ocasionais, são propositais e servem exatamente para passar uma ideia. A ideia de menosprezar o antigo e enaltecer o novo.

Neste sentido, a troca do nome da cidade cai para o plano da insignificância na novela, na verdade este é apenas o pretexto criado pelo autor para transmitir suas idéias. Claro que a temática das ideias que estão sendo apresentadas hoje em Saramandaia não são as mesmas que foram apresentadas em 1976, as propostas apresentadas hoje são atualizadas para os debates que ocorrem hoje, como por exemplo a questão do aborto. E aí alguém poderia perguntar, e qual o problema de apresentar debates atuais em uma novela? Problema algum, a questão é que não são apresentadas de forma a enriquecer o debate, mas para influenciar a opinião daqueles que assistem. Vejamos um exemplo:


Prestaram atenção no diálogo das personagens? Não há uma apresentação do problema com a finalidade de enriquecer o debate, mas sim uma apologia à legalização do aborto, tema tão delicado e um debate intenso, mas que na novela aparece como algo relativo apenas a liberdade da mulher sobre o próprio corpo. A cena esconde todo o debate, inclusive as questões mais críticas, como a questão científica ainda não definida do início da vida, as questões morais e jurídicas sobre o feto e a proteção à vida. Aliás até mesmo a discussão da liberdade da mulher neste debate, já que o corpo do bebê não é um membro do corpo da mulher apesar de estar ligado a ele, o debate é crítico e envolve áreas como medicina, filosofia e direito e não pode ser resumida de forma tão simplista como foi apresentado na cena acima.

Mas então qual o objetivo de injetar tais assuntos em uma trama de novela? Simples, influenciar a opinião pública, influenciar aqueles que estão alheios a um debate mais profundo, que não conhece todas as facetas de um debate, então para estes fica mais fácil comprar as ideias transmitidas.

Aliás, as personagens da cena são do núcleo Saramandista da novela, e isso é importante notar, pois cabe ao núcleo Saramandista propor as mudanças que a ala mais progressista pedem na vida real. Ora, unindo o que já vimos no início do texto com o exemplo dado anteriormente chegamos a uma conclusão, todo conservador ele é contra os progressos sociais e utiliza de todo tipo de artimanha, inclusive criminosas para manter sua forma de pensar. Em contrapartida os Saramandistas que representam os ideias progressistas não, não aceitam propina, não chantageiam e sempre procuram a via legal e democrática para resolverem seus conflitos, além de serem solidários com a situação do outro.

Como vemos a proposta não é enriquecer debate algum, nem político nem social, mas sim transmitir uma ideia e fazer com que ela seja aceita pela sociedade. Saramandaia é apenas um entre muitos exemplos com esta finalidade, a doutrinação política e social de novas propostas. Cabe ao espectador atenção para perceber e saber se posicionar a respeito para não ser levado na onda das transmissões.

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