quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Afinal o que é ser de direita ou esquerda?



Muito se utiliza os termos direita e esquerda na política para mostrar o antagonismo de posições políticas. Mas afinal o que significa ser de direita ou de esquerda? Somente por estes termos é possível ter noção do cenário político e a partir daí sair por aí se definindo como pertencer a este ou aquele grupo?
Historicamente os termos direita e esquerda foram utilizados sem nenhum objetivo ideológico, os termos foram usados apenas e simplesmente para designar a posição que os grupos ocupavam durante a Assembleia Nacional durante a Revolução Francesa de 1789. Nesta Assembleia, os simpatizantes do Rei formaram partidos e se sentaram à direita do presidente e os adeptos as ideias revolucionárias se sentaram à esquerda do presidente. Foi a partir de então que os termos começaram a receber uma conotação usada para separar os dois grupos, sendo os da “direita” defensores de posições conservadoras enquanto os da “esquerda” defendem posições revolucionárias.
Ao passar dos tempos e com as transformações proporcionadas após a Revolução Francesa e com os avanços tecnológicos da revolução Industrial na Inglaterra e com a união dos ideais iluministas com o liberalismo econômico temos as mudanças que transformaram o mundo a partir do século XIX. Quanto ao Iluminismo, vale lembrar que Rousseau se distinguia dos demais iluministas por acreditar que a propriedade privada corrompia o homem. Neste período então surgem os movimentos comunistas e socialistas a que pretendem a partir de revoluções proletárias tomar o poder e instaurar uma nova ordem social. Neste momento vemos algo muito interessante, enquanto na Revolução Francesa os da “esquerda” eram os defensores dos princípios iluministas e da economia liberal e em sua imensa maioria burgueses agora passam a ser identificados como de “direita” e os novos revolucionários comunistas e socialistas se tornam os novos representantes da “esquerda”.
Até a década de 1930 a divisão entre os opostos no campo político e econômico se dava basicamente entre os adeptos do liberalismo clássico e dos ideais socialistas e comunistas. Aqui vale um adendo, a crítica dos socialistas e comunistas se dão basicamente no campo cultural e social mas sempre atacando como culpa o modelo econômico. Neste sentido basicamente quem defendia o livre mercado, um estado pequeno e o valor individual do indivíduo passou a ser visto política e economicamente como sendo de direita. Enquanto os que defendiam um estado forte e grande que regula os modos de produção e a distribuição, além de regular o consumo e priorizar o coletivo em detrimento aos valores individuais eram vistos como de esquerda. Não trataremos aqui neste texto das questões que fujam ao espectro político e econômico.
Após o crash da bolsa em 1929, em que há um grande debate a respeito dos motivos que levaram a este crash, e o plano New Deal, surgiu uma nova teoria econômica frente aos acontecimentos recentes. John Maynard Keynes, mais conhecido apenas por Keynes, apresentou um novo modelo econômico. Algo como um semi-intervisionismo do estado na economia e que deu origem ao welfare state, ou estado de bem estar social, onde Keynes se utilizando das teorias liberais e socialistas desenvolveu sua tese onde cabe ao estado as políticas sociais e a garantia dos direitos trabalhistas. A partir de então muito se teorizou em como classificar este modelo, já que ele impede a regulação “natural” do mercado como defende a escola clássica liberal mas também não é um estado totalitário que controla toda a economia e que impede a livre concorrência como queriam os socialistas e comunistas.
Neste sentido muito se discute em como classificar esta nova posição, havendo variações do tipo centro, centro direita e centro esquerda, não havendo consenso entre os analistas políticos e econômicos quanto a melhor forma de classificar este modelo.
Por fim, vemos que as diferenças entre direita e esquerda no campo político e econômico não são tão difíceis de se perceber. Ultimamente, principalmente após a década de 1950 com a pós-modernidade e a subjetividade ficou cada vez mais difícil esta percepção devido a própria subjetividade e o desconhecimento das pessoas acerca do que estes termos representam.
A questão é claro, não se define apenas nos campos político e econômico que foram tratados neste texto, na verdade estas são as formas mais práticas de se ver e perceber as diferenças entre a “direita” e a “esquerda”, quem deseja ter uma noção maior é essencial estudar a questão no campo filosófico, pois é exatamente pela filosofia que se percebe de onde surgem estas posições, que nada mais são que resultados de formas diferentes de enxergar o mundo, a realidade e as relações humanas.
A princípio, como ponta de um imenso iceberg filosófico, é preciso saber que a “direita” é comumente marcada por defender a propriedade privada, um estado mínimo que respeite as liberdades individuais de seus cidadãos, o livre mercado e a livre concorrência. Em contra partida a “esquerda” é reconhecida por defender uma sociedade comum a todos, ou seja, onde o estado seria o responsável por suprir as necessidades dos indivíduos, defendem assim um estado forte e regulador, são contra a propriedade privada e não reconhecem a capacidade de regulamentação do mercado pela concorrência.

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