segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Economia brasileira será testada com recuperação de EUA e Europa




 Desde 2009 todos acompanham a crise econômica em que os EUA e a Europa atravessam com grandes dificuldades. Após 5 anos os dois mercados começam a dar claros e confiáveis sinais de recuperação e com isso os mercados emergentes, como o Brasil, começam a ligar o sinal de alerta já que com a recuperação das grandes potências há riscos de se iniciar uma crise nestes países, e no Brasil ela já começa a se desenhar.

Há quem diga inclusive que se não fossem os especialistas que estão a frente das grandes instituições financeiras do mundo estaríamos frente a frente com uma crise comparável ao crash da bolsa de 1929, este é o caso por exemplo de Ben Bernanke que é o atual presidente do FED (Banco Central dos EUA). Graças a especialistas como este em economia e crises econômicas o mundo não assistiu uma crise pior, mas devemos lembrar que o remédio que eles deram pode ter efeitos colaterais sérios aqui, e isso só será percebido quando a crise terminar por lá.

A linha de pensamento é simples, após o estouro das crises nos mercados europeus e na economia estadunidense, estes viram nas nações emergentes sua salvação, foi então projetado a estas nações algo como o protagonismo, mesmo que temporariamente, das ações econômicas. Nem todos os países emergentes ficaram dormindo como o Brasil e deixaram esta oportunidade passar, países como Chile, México e Índia tem tido resultados muito melhores em suas economias que o Brasil, mas o teste real está por vir e a pergunta é: O Brasil está preparado para a turbulência que se aproxima?

O cenário da economia brasileira colocaria qualquer um preocupado, mas curiosamente e assustadoramente nosso ministro da economia não mostra sinais de preocupações, mesmo o Banco Central estando pressionado a aumentar a taxa de juros para tentar segurar uma inflação que não para de sufocar, mesmo as contas do governo estarem aumentando ano após ano o que gera uma dívida interna cada vez maior, e claro sem falar nas imensas quantidades de dólar que o Banco Central vem injetando no mercado para tentar segurar a desvalorização do Real. Em suma, o Brasil hoje se encontra em uma sinuca de bico.

Uma boa receita para tentar solucionar este tipo de problema é incentivar o consumo interno, já que com isso o mercado se aqueceria aumentando assim a arrecadação e ajudando a equilibrar a balança comercial, porém o governo vem desde 2005 incentivando o consumo e desonerando uma série de produtos que levou a população a uma compra desenfreada e hoje chegamos ao impressionante número de 63% das famílias brasileiras se declararem endividadas e 13% das famílias se declaram muito endividadas segundo dados da Agencia Brasil. Houve pequena melhora no número de famílias endividadas é verdade, mas estes já são os números melhores, ou seja, o consumo interno do brasileiro tende a cair entre outros fatores pela dificuldade de pagamento das dívidas já contraídas. 

Outros fatores que não contribuem para um horizonte otimista de nossa economia é a nossa produção industrial. Recentemente o IBGE divulgou os dados de nossa produção industrial e 15 dos 27 setores demonstraram retração e nos últimos 12 meses tivemos um crescimento de apenas 0,6%.

E na agricultura a situação não é menos preocupante, não por causa de nossos produtores, já que o Brasil além de ter uma das maiores produções do mundo também se destaca na qualidade destas produções, mas quando a colheita precisa chegar no porto ou apenas ser estocada é que se iniciam os problemas. Mesmo obtendo em alguns ramos as maiores produções de grãos não conseguimos escoar esta produção, isso quando conseguimos estocar a mesma. Parte desta produção que se mostra recorde ano após ano se perde nas estradas esburacadas do país ou simplesmente estragam nas fazendas, pois não temos estrutura para transportar a produção, o que torna o transporte caro e diminui a competitividade deste produto tanto no mercado externo quanto no mercado interno. O Brasil paga caríssimo pelo sucateamento e abandono de sua linha ferroviária e pela má estrutura dos portos.

A questão que se apresenta é preocupante sim, ao menos assim a vejo. Os EUA e Europa estão se recuperando e estas grandes potências trabalham por um acordo econômico que deixa o mundo em alerta, como já escrevemos aqui. Alguns especialistas apostam em uma recuperação quase que total a partir do segundo semestre de 2014, e este é exatamente o tempo para se iniciar os verdadeiros testes na economia brasileira que neste novo cenário econômico mundial terá que ser mais competitiva e eficiente, coisa que não tem conseguido ser. Com um PIB insignificante, uma população endividada e com a indústria e o agro-negócio esganados resta saber qual será a incrível estratégia para nos livrar de uma grave crise.  

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