domingo, 20 de outubro de 2013

Leilão do pré-sal, necessário para o Brasil e a demagogia do PT



O atual governo se vê neste momento em maus lençóis. De um lado sua defesa ideológica de estatização e sua militância, do outro lado está a decisão de abrir concessões para exploração do petróleo na camada pré-sal. No meio está a presidente Dilma, que aliás já tomou sua posição, que já garantiu que os leilões ocorrerão inclusive com a proteção do exército.

É um momento crítico para o governo PT que sempre possuiu uma firme posição contrária à privatização e que amanhã realizará o leilão que permitirá que empresas privadas explorem junto com a Petrobras as maiores reservas de petróleo na camada pré-sal encontradas no Brasil.

É o problema de se tornar governo, quando se é oposição a acusação além de ser vital é estratégico, mas quando se chega ao poder a coisa muda de figura e o PT percebeu isso. O estado não possui recursos para tirar o petróleo do subsolo marinho, como deixou claro o ministro Lobão quando disse “Este tesouro de nada nos serve deitado em berço esplêndido.” Os recursos do leilão de amanhã possivelmente irão superar o valor já arrecadado com todos os leilões já feitos no país pela ANP (Agência Nacional de Petróleo), se espera arrecadar R$ 15 bilhões com o leilão de amanhã contra os R$ 8,9 bilhões já arrecadados até hoje em leilões da ANP.

Aqueles que são contrários ao leilão afirmam que o Brasil está vendendo sua riqueza, já que somente o campo de Libras corresponde sozinho cerca de 2/3 de toda a reserva de petróleo do Brasil já descoberta, com isso os R$ 15 bilhões que seriam arrecadados seriam fichinha perto dos R$ 1,5 trilhões de potencial que o campo possui.

Mas quem apóia os leilões argumentam que não é bem assim e que tais argumentos se furtam a analisar a situação de forma franca, já que com os leilões o Brasil irá se se beneficiar muito além dos R$ 15 bilhões do leilão. Haroldo Lima, ex-diretor da ANP, afirma que este modelo adotado é o melhor para resguardar o Brasil e garantir que o país tenha grandes lucros com este tesouro sob nossas águas. Sobre isso comenta ele que pela partilha, a Petrobras tem participação de 30% no consórcio vencedor e, de todo o petróleo extraído, pelo menos 41,65% deverá ser ofertado à União, sendo que quem oferecer maior quantidade de barris ao governo sairá vencedor. “Somando a participação especial, impostos, roaylties, tudo isso, teremos, no mínimo, 70% da produção de petróleo do Campo de Libra para o governo federal brasileiro”, calcula Haroldo. “Essa história de que o Brasil tá doando Libra não se sustenta”, pondera. (Exame)

Lamentavelmente a discussão tem se resumido muito a questão ideológica e pouco tem se discutido efetivamente acerca das melhorias que o Brasil pode alcançar com tais riquezas. Com isso vemos o governo PT realizando aquilo que sempre condenou. No fundo é o mesmo que dizer que aquilo que defendia não fazia sentido. Além disso, coloca o exército nas ruas para ir contra aqueles que foram seus aliados durante grande parte de sua trajetória política. Do outro lado, não sabemos também o que estes que estão contra o governo realmente desejam. No fundo, no fundo, parece que tudo se resume a intrigas partidárias e ideológicas.

É preciso um projeto de estado, o Brasil necessita de melhorias e é lamentável ver pessoas que se opõem a proposta sem o mínimo conhecimento de como as coisas se darão e qual modelo será adotado simplesmente por serem “politicamente” contrários. O Brasil precisa se livrar de debates tão rasos, sem isso será muito difícil alavancar um verdadeiro crescimento e tornar o Brasil a grande nação que desejamos ver.

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