terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Os "Rolezaum" são sinais de uma sociedade não civilizada




Uma nova e horrenda moda que começa a se espalhar são os “Rolés”, “Rolezins” ou “Rolezaum”. São encontros marcados pela internet em Shoppings Center e Parques Públicos, que segundo as páginas dos encontros o objetivo é “tumultuar, pegar geral e se divertir sem roubos”. Se fossem apenas encontros inocentes de amigos em Shoppings não haveria problema algum, o problema é que tais encontros tem provocado o caos e a desordem por onde passam, conseguindo assim literalmente gerar o tumulto que desejam, em um Parque onde ocorreu um “Rolezinho” um guarda foi covardemente atacado.

Jovens marcando baderna e correria em shoppings e parques públicos é claramente o resultado da formação de uma geração que não faz a mínima noção do que significa a palavra civilidade. Não demonstram comportamento semelhante a pessoas que receberam o mínimo de educação ou formação cívica e é difícil pensar que tenham frequentado as salas de aulas de uma escola.



Mas o pior começa a se mostrar quando lemos as analises feitas por intelectuais sobre o assunto. Após alguns shoppings de São Paulo conseguirem liminar para impedir os “rolezinhos” e multar quem participasse da baderna em R$10 mil, alguns intelectuais passaram a atacar a atitude do shopping de impedir que tais reuniões ocorram em seus interiores como racistas, ou ainda que demonstram um apartheid à brasileira. 

O fato é que tais “rolezinhos” demonstram a total falta de formação moral e educacional de parte da juventude brasileira que foi formada no país nos últimos 15 anos e que vem piorando ano após ano, apesar do governo continuar afirmando que está melhorando. Lamentavelmente as escolas são apenas depósitos de crianças e adolescentes, e muitos destes ainda só frequentam as escolas para não pederem o Bolsa Família no fim do mês. As famílias tem visto seus direitos de educar seus filhos sendo tolidos e as escolas vem recebendo as mais variadas funções, menos a de formar cidadãos e ensinar as ciências.

O país atravessa muitas crises, crise econômica, crise na segurança pública, crise política (já muito antiga), corrupção enorme, etc. Mas nenhuma delas é pior que a crise moral e ética que se abate sobre o país, e talvez esta seja a fonte de todas as outras.

É verdade que existem diferenças sociais brutais no país, somente um cego não percebe isso, mas daí acusar os shoppings de serem racistas ou de impedirem a entrada de pessoas das classes inferiores é um argumento que mostra não uma ignorância, mas sim uma intenção deliberada de alimentar a situação deplorável que estamos assistindo. Dizer que existe uma segregação pois os participantes de tais reuniões estão sendo impedidos de entrarem nos shoppings é no mínimo desonestidade intelectual. Será que o mesmo vale para os brigões dos estádios, que afugentam famílias e pessoas que só querem assistir seus times? Impedir brigões de acessarem as arquibancadas também é segregação das classes menos abastadas?

Assim como os brigões devem ser banidos dos estádios, os arruaceiros também precisam ser retirados dos shoppings e dos Parques Públicos. Os brigões deveriam, pois ainda não foram, ser banidos dos estádios não por serem de classes inferiores, mas por gerarem desordem e desrespeitar o direito de outros. Da mesma forma os participantes das reuniões chamadas de “rolezinhos” não estão sendo impedidos de entrarem nos shoppings por sua cor de pele ou pela sua aparência de pobre. Estão sendo impedidas por causarem desordem, arruaça e baderna, que não são atitudes de pessoas que sabem viver em sociedade e respeitar o direito do próximo.

Lamento, entretanto, que tais medidas estejam sendo tomadas apenas para que tais reuniões não ocorram em shoppings. Deveriam também ser estendidas a parques, praças e locais públicos, e assim, impedir as  terríveis cenas do ataque covarde ao guarda do vídeo acima. O direito a reunião de pessoas é garantido por lei, e quando tais reuniões , como os “rolezinhos” infringem as leis, seus participantes devem ser tratados sim como cidadãos, mas cidadãos que infringiram as leis, e assim responder por seus atos.

Leia mais:

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Shopping consegue na justiça direito de impedir "rolezinho"

O rolezinho no shopping e o rolezão de dois brasileiros em Beverly Hills

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