quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Reveillón, policiais e birita



O fim de ano é uma festa que mexe com todos, não há como negar. Mas há profissionais que trabalham em dias onde todos estão se divertindo, como médicos, bombeiros, enfermeiros, policiais e etc. Esta nossa primeira historinha de início de ano terá como personagens principais 4 policiais em um réveillon na praia. É mais um texto que mostra como alimentamos a corrupção no país com pequenos atos, e o réveillon não poderia ficar de fora.

Fim de ano, festa e alegria, nem tanto. Nossos pequenos atos sujos nos acompanham até mesmo nos momentos de festa como a virada do ano. Este caso ocorreu em uma cidade do litoral brasileiro durante a festa de réveillon e especificamente a 5 minutos da queima de fogos que anunciava o ano que começava.

Era impossível encontrar um espaço vazio na orla, de tanto procurar uma forma de descer para a areia sem sucesso, devido ao grande número de gente, mal educada diga-se de passagem, decidimos ficar no calçadão mesmo. Mas ainda restava achar um local onde aguardar o ano se iniciar, e então avistamos um posto policial. Para garantir a segurança, foram montados postos ao longo da orla onde policiais vigiavam a festa de um local acima da população, para terem uma melhor visualização.

Ficamos curiosos, entretanto, que estranhamente perto do posto policial havia o que faltava em todo o resto da orla, espaço. Parecia que ninguém queria ficar perto dos policiais. Como nunca tive problemas com policiais, não vi problemas em ficar próximo e ate me aproveitar do espaço que havia.

No posto havia quatro policiais, 3 policiais homens e 1 feminina. Eles demonstravam estar cumprindo sua tarefa de modo admirável, davam informações e não tiravam os olhos do público. Até fiquei imaginando como deveria ser chato passar este tipo de festa trabalhando, mas fazia parte do trabalho deles, e muitos até se orgulham de estarem trabalhando enquanto os outros se divertem, é mais um mérito para tal profissão e admiro quem a escolhe.

Um pouco atrás do posto policial havia um grupo muito animado de pessoas e que foram para a festa abastecidas de isopores cheios de energéticos e bebidas alcoólicas. Era visível que já estavam no grau, como diz o povo. Dançavam, cantavam e aproveitavam cada minuto.

Pouco antes da chegada do novo ano, porém ocorre que um dos integrantes do animado grupo entrega para a policial um como de bebida alcoólica e energético. Eis então que fiquei atônito assistindo sem acreditar em tal cena. Na frente de milhares de pessoas, uma policial aceita um drink sem cerimônias e bebe com menos cerimônias ainda. O grupo segue em sua diversão.

Outros dois policiais se viram e fingem não assistir tal cena, mas quando a policial que aceitou a bebida lhes oferece um gole, não se fazem de rogado e aceitam sem mais delongas degustar daquele último drink em serviço de 2013.

Como já disse aqui somos um povo que lamentavelmente nos acostumamos com o errado, nos acostumamos com os desmandos e com o descumprimento das regras. E por isso não houve uma reação para aquela cena lastimável, onde policiais desonraram a farda por um copo de bebida.

Mas como diz um comercial de uma famosa marca de refrigerantes, há razões para acreditar. Um dos policiais, o que aparentava ser o mais experiente deles, ao ter o copo oferecido pela policial, se recusou a participar daquela rodada da desonra. Uma atitude simples, diria até mesmo pequena, mas significativa diante do ocorrido.

Após assistir tudo isso incrédulo, fiquei pensando na cena e na deplorável reação do público, ou na falta de reação, ao verem autoridades se comportando daquela forma. Alguém pode dizer que era só um copinho, mas quem me garante que um copinho de bebida no réveillon não pode se transformar em uma propina? Quem aceita um copo de bebida em serviço, na frente de milhares de contribuintes, será que não aceitaria uma graninha para aliviar alguma situação? Esta é a questão. 

O brasileiro de uma forma repugnante se acostumou com tais ofensas, por considerá-las pequenas. Assim, vamos para frases repetidas de norte a sul do país que ajuda a manter o Brasil onde ele está, na lama. “É assim mesmo!!!”. “Ele rouba mas faz!!!”. “Quebra essa pra mim!” e outras frases malditas é que alimentam o jeitinho brasileiro. Um jeitinho que só prejudica nossa gente. 

Logo em seguida, veio a queima de fogos, um novo ano se iniciava. Mas ficava aquela sensação que nada havia mudado. Corremos o terrível risco do cometermos os mesmos erros de antes por não mudar nossas atitudes. Enquanto atitudes como essas se repetirem pelo país, não haverá mudanças. Pois como bem disse Albert Einstein, é tolice esperar resultados diferentes fazendo sempre a mesma coisa.

Feliz 2014.

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