sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O murro do Papa Francisco nos extremistas e nos defensores da liberdade de ofensa

Imagem do portal G1

O brutal atentado ocorrido na última semana (07/01) no Charlie Hebdo levantou questões e debates importantes em todo o mundo durante esta semana. E tudo ia razoavelmente bem até que o Papa Francisco levantou uma importante questão que todos parecem ignorar, durante sua visita à Filipinas o Papa afirmou ontem (15/01) que “a liberdade de expressão tem limites” pouco após dizer que não se deve fazer guerra ou matar em nome de Deus. Mas infelizmente alguns não conseguiram compreender isso.

Alguns parecem ter compreendido, não sei como, que a fala do Papa de alguma forma justifica o atentado que fez 12 mortos em paris. O atentado virou um estandarte contra o terrorismo e os mortos viraram algo como mártires da liberdade de expressão e não faltaram críticas à aqueles que diziam “je ne suis pas Charlie” << Eu não sou Charlie>> e mesmo assim condenavam veementemente o atentado.

Assim como muitos também digo que não sou Charlie. Aliás, muitos “foram Charlie” pelo calor do momento e para se mostrarem defensores da liberdade de expressão. Mas me desculpem estes, mas não considero o trabalho feito no Charlie o melhor exemplo da liberdade de expressão. Me parece, que os defensores deste tipo de humor defendem mais o direito a ofender e desrespeitar que propriamente o direito de exprimir suas ideias livremente.

Não concordar com o “humor” ofensivo do Charlie e condenar o atentado não é contraditório. Aliás, o Papa Francisco foi a personalidade que melhor soube analisar o caso. A liberdade de expressão não deve ser usada para justificar ofensas religiosas e da mesma forma crenças religiosas não podem ser usadas para justificar atos como o ocorrido no jornal francês. Sinceramente não sei onde esta a dificuldade em compreender isso.

O maior argumento dos jornalistas do Charlie usado para justificar as charges do profeta Maomé era de combater o extremismo e o terrorismo, mas o que talvez pudesse passar despercebido é que com estas charges eles ofendem a todos aqueles que seguem o Islã e não somente os terroristas islâmicos. E isso nem de longe pode ser entendido como justificação para o que houve, mas um pensamento lógico que não vale somente para o Islã, mas para todas as religiões, sendo assim quando se publica uma charge querendo condenar os casos de pedofilia na Igreja e se usa a imagem de Cristo não se ofende somente os religiosos que cometeram este crime, mas sim a todos os cristãos. Em ambos os casos inocentes foram ofendidos apenas por possuírem a mesma fé dos criminosos.

A liberdade de expressão é algo fundamental para as sociedades ocidentais, mas não devem ser confundida com libertinagem ou justificativa para ofensas religiosas gratuitas. Da mesma forma, as sociedades ocidentais precisam combater fortemente grupos terroristas e extremistas que buscam suprimir a sociedade e a cultura ocidental implantando valores e costumes alheios aos nossos.


A liberdade de expressão deve ser defendida sempre, mas também deve ser acompanhada de responsabilidade e respeito. Estas são premissas básicas para uma convivência saudável e pacífica. Parabéns ao Papa Francisco pela coragem e pelo belo lembrete que liberdade de expressão não é liberdade de ofensa. 

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