terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Começa a costura do impeachment da presidente Dilma na colcha de retalhos remendada da democracia brasileira


Acabou a pouco a sessão extraordinária na Câmara dos Deputados Federais para eleger a comissão que irá analisar o pedido de impeachment contra a presidente Dilma. Em uma sessão conturbada, em que possuíam duas chapas que disputariam a comissão do impeachment, houve de tudo, até quebra das cabines de votação. Mas a sessão ocorreu e a chapa liderada pela oposição e deputados da base aliada descontentes, e isso é praticamente a pavimentação do impeachment. Saiba como foi a sessão que definiu a comissão que irá analisar o pedido de impeachment de Dilma Rousseff.


1º Ato – Chapa Branca VS Chapa dos Insurgentes

Quando Eduardo Cunha (PMDB) aceitou o pedido de impeachment formulado pelo jurista Hélio Bicudo, fundador do PT, e outros juristas, se dava início ao processo de abertura do rito do impeachment. E o primeiro passo seria a indicação de uma comissão de 65 deputados que iriam analisar e apresentar um parecer a respeito do pedido de impeachment. Cada partido teria então direito a indicar deputados na proporção que possuem na casa. Começou então uma corrida alucinante para montar a importante comissão. O governo buscou influenciar os líderes dos partidos da base a indicar deputados mais amigáveis ao governo, mas esta manobra provocou uma rápida reação da oposição e de parlamentares da base aliada que não estão satisfeitos com o governo e queriam estar na comissão. Como os líderes da base aliada passaram a indicar deputados claramente favoráveis ao governo, os insatisfeitos e a oposição passaram a montar uma nova comissão indicando deputados independentes dos líderes partidários. Após uma reunião com os líderes partidários pautado em uma brecha encontrada no regimento da Câmara, ficou definido que a decisão de qual comissão seria a que debateria o pedido de impeachment seria do plenário da Câmara e aí se criou um novo campo de batalha.

2º Ato – Vencem os insurgentes

No plenário da Câmara o clima foi tenso. O medo do governo de que a chapa formada por descontentes das indicações dos líderes partidários vencesse tomou contra daqueles que são contrários ao impeachment e que viam na comissão especial a melhor chance de matar o processo de impeachment. Mas o fato da votação no plenário ser com voto secreto favorecia que os deputados da base aliada que são favoráveis ao impeachment votassem na chapa da oposição sem se preocuparem com retaliações. E por fim a votação teve início na Câmara com uma confusão que por pouco não provocou agressões generalizadas. Partidários do governo protagonizaram uma cena lastimável ao formar piquetes em frente das cabines de votação e foi aí que o empurra-empurra com agressões e xingamentos teve início. O saldo da balbúrdia foram duas cabines da Câmara danificadas e a chapa da oposição e descontentes eleita por 272 votos para a “Chapa 2” (Chapa da oposição) contra 199 votos na “Chapa 1” (Chapa dos líderes partidários).

O 3º ato será amanhã


A vitória da Chapa 2 hoje no plenário da Câmara foi uma vitória incontestável da oposição, que agora possui condições mais claras de conseguir um relatório favorável ao impeachment ao fim das reuniões da comissão especial. Mas a chapa eleita possui 39 votos e a comissão especial precisa de 65 parlamentares que precisam respeitar o percentual da representatividade dos partidos na Câmara. Os líderes dos partidos que faltam indicar seus parlamentares tem até amanhã às 14h para indicar os 26 deputados para ocupar as vagas restantes. Esta indicação também será confirmada em uma votação no plenário da Câmara, e o clima não promete ser melhor que hoje. Após a votação de amanhã, com a comissão formada, iniciam as reuniões para analisar o pedido de impeachment. Amanhã, com a instalação da comissão especial o destino do governo Dilma será definido e pelo ocorrido hoje, não parece favorável com o Planalto.

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