sábado, 16 de janeiro de 2016

O petróleo é o grande vilão da crise? Nem tanto.

Desde o início da crise um assunto gira sempre como sendo uma das principais causas, o petróleo. A queda do preço do “ouro negro” foi eleita como a grande vilã, e quem não conhece ou não busca sobre o assunto até pode acreditar que esta historinha procede, mas não é bem assim.

Antes de demonstrar que a queda do barril do petróleo nem de longe é a culpada de nossa tragédia, é preciso lembrar algumas coisas. Em primeiro lugar, vamos lembrar que não foi a queda do preço do barril do petróleo ou a operação lava-jato que jogaram a Petrobras no chão. Foram os desmandos administrativos e a cadeia de corrupção instalada na empresa que a levarão ao fundo do poço e deixa todos nós sofrendo os terríveis efeitos do abusivo preço dos combustíveis nos postos de todo o país.

A série histórica do petróleo

Vamos deixar a demagogia e o discurso político de lado e vamos olhar para a realidade do cenário do petróleo e a situação geopolítica que afeta o mercado da commoditie. Basta recuar no tempo e analisar o desenvolvimento do preço para perceber que o preço do barril não é comum ficar acima de $100 por barril. Aliás, a primeira vez na história que isso ocorreu foi em início de 2008, ou seja, há apenas 8 anos.

Se recuarmos ainda mais, veremos que o valor acima de $100 para o barril de petróleo nem de longe pode ser considerado, digamos, comum. Basta realizar uma breve pesquisa do preço do barril para ver que o governo fez a Petrobras se apoiar em fumaça. Retornando até o início de 1990, 26 anos atrás, vemos que a média do preço do petróleo passa muito longe de $100, e neste período foi de apenas $47. Em 2008 o preço do barril se manteve acima dos $100 apenas 8 meses, depois só voltou a este preço em abril de 2011, e após este período figurando poucas vezes acima dos $100. (clique aqui para acompanhar o histórico do preço do barril de petróleo.)

Com Iraque e Irã voltando a produzir e vender petróleo poucos anos atrás o mercado foi inundado de oferta do produto. E aí vale a regra básica do mercado, quando a oferta é muita o preço cai. Com muita oferta e a reserva dos países aumentando o preço entrou em queda livre e deve figurar entre $20 e $40 por um bom período ainda. Mas isso não foi uma crise que caiu de para-quedas no colo dos administradores. Os governantes, investidores e economistas de todo o mundo já esperavam e projetavam esta queda a patamares próximos a média histórica.

O Brasil contou com o ovo na cloaca da galinha

Os governos do PT, principalmente os mandatos de Lula, surfaram na disparada dos preços das commodities. A economia ia de vento em popa com os preços das commodities em alta, a agricultura em alta, o câmbio controlado e o otimismo imperando.

A Petrobras passou a ser a “galinha dos ovos de ouro”, financiando os grandes projetos do governo ao lado do BNDES (que aliás já levanta suspeitas). Com isso o orçamento da empresa passou a ajudar o governo a financiar seus programas. A descoberta do pré-sal fez com que as expectativas decolassem e passou a ser o carro chefe do segundo mandato do presidente Lula. Chegamos a ouvir dizer que o Brasil chegaria a ser 4ª maior economia do mundo.

Mas foi só isso, promessas, expectativas e projeções. Na vida real, nada foi feito para garantir que a economia se sustentasse. Nem mesmo com os avisos do mercado e dos economistas  e com as reservas de petróleo subindo em todo o mundo o governo reviu seus planos de negócios. Sem falar no impressionante e vergonhoso esquema de corrupção que foi instalado na estatal que fez com que o patrimônio da empresa derretesse após as descobertas e escândalos provenientes das investigações da operação Lava-jato.

A Petrobras ainda não chegou ao fundo do poço

Mesmo a queda do petróleo sendo esperada, não se pode dizer que o mundo está respondendo bem a esta queda brusca do preço. Mas em todo o globo quem mais tem sofrido são as empresas petroleiras. É difícil encontrar um país desenvolvido que esteja em dificuldades graças ao petróleo.Na verdade os consumidores ao redor do mundo tem comemorado a queda do preço dos combustíveis, que aliás não para de subir por aqui graças a mão pesada do governo.

Esta mesma mão pesada que impede que o preço da gasolina baixe poderá levar a Petrobrás a uma situação ainda pior do que ela se encontra se nada for feito. Se nada for feito de forma série a Petrobrás poderá virar somente lembrança nos livros de história. E isso não é exagero.

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