domingo, 20 de março de 2016

Terminou a semana que deu início ao fim do governo Dilma

Termina uma semana histórica para o Brasil. Os fatos ocorridos nesta segunda semana de março de 2016 estarão nos livros de história e com certeza será alvos de interpretações pelas próximas décadas. Vamos então recordar tudo que ocorreu somente nesta semana.

A população nas ruas pedindo a saída do PT e o impeachment de Dilma – 13/03/2016

Entre 3 e 6 milhões de brasileiros saíram às ruas de centenas de cidades e de todas as capitais do país para pedir o impeachment de Dilma, o combate à corrupção e apoio ao juiz Sérgio Moro.

Por todo o país o que se viu, foram pessoas que saíam de casa para pedir mudança nos rumos políticos do país. Os manifestantes se posicionaram também contra as suspeitas de que Dilma poderia indicar o ex-presidente Lula para algum ministério de seu governo, para que assim pudesse gozar de foro privilegiado e não mais estar sujeito às investigações da Operação Lava-Jato.

Leia mais: Manifestantes fazem maior protesto nacional contra governo Dilma

Crescem os rumores de Lula ocupar um Ministério no governo Dilma – 14/03/2016

As noticias do dia seguinte das maiores manifestações políticas do Brasil ocorridas até então, se dividem entre as repercussões do mega protesto contra o governo e os rumores que Lula teria sido convidado a assumir um Ministério no governo.

Nesta segunda-feira (14) e no dia seguinte (15), o governo não garantia nada. Mas as notícias que vazavam pela imprensa davam conta de que Lula estaria sendo pressionado pelo PT, pelo governo e aliados a aceitar o Ministério no governo. E os parlamentares do PT diziam que a ida de Lula para o governo seria um grande passo para o país sair do impasse político.

A primeira consequência imediata deste ato é que Lula como Ministro passaria a ter foro privilegiado, assim ele não poderia ser investigado pelo juiz Sérgio Moro. Seu caso passaria para as mãos do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Isso fez com que toda a opinião pública entrasse em ebulição, questionando e discutindo a questão.
Dilma anuncia Lula como Ministro – 16/03/2016

No fim da manhã da quarta-feira, Lula foi anunciado como novo Ministro do Governo Dilma. Ele iria assumir a Casa Civil. Rapidamente começou uma mobilização da oposição condenando a atitude do governo, enquanto aliados comemoravam. O presidente do PT chegou a chamar Lula em sua conta no Twitter de “Ministro da Esperança”.

Leia mais: Lula aceita convite de Dilma e assumirá Casa Civil

Juiz Sérgio Moro libera acesso a gravações telefônicas de Lula – 16/03/2016

A euforia dos governistas e aliados com Lula assumindo o Ministério da Casa Civil durou apenas algumas horas. No fim da tarde do mesmo dia que Dilma havia anunciado Lula como Ministro, o Juiz Federal Sérgio Moro, responsável ela operação Lava-Jato, suspendeu o sigilo das gravações telefônicas de Lula feitas com autorização da justiça. Logo Brasília viveu um turbilhão.

A primeira gravação que chamou a atenção de todos foi o áudio entre Lula e Dilma na tarde do mesmo dia da liberação do áudio, onde a Presidente Dilma diz que estaria enviando o termo de posse em branco para Lula. E que ele deveria assinar somente em caso de necessidade.

A liberação do áudio provocou uma reação automática em várias cidades do país e em mais de 15 capitais houve manifestações espontâneas, onde as pessoas se colocavam contra a posse de Lula e pediam a prisão dele. Na Av. Paulista tomada por pessoas que saiam do trabalho e demonstravam sua insatisfação, rapidamente virou uma imensa manifestação contra o Lula e pediam a renúncia de Dilma. Alguns acamparam na Av. Paulista e diziam sair somente após a queda do governo.

Leia mais: Moro libera áudio de conversa entre Lula e Dilma

A posse do Ministro que não foi Ministro – 17/03/2016

A quinta-feira amanheceu nervosa. A posse de Lula como Ministro, que ocorreria em 22/03 foi adiantada para a manhã desta turbulenta quinta-feira devido à liberação dos áudios das conversas telefônicas de Lula.

Às 10h teve início a cerimônia de posse de Lula como Ministro. Dentro do Palácio do Planalto, vários aliados e convidados assistiam a posse de Lula enquanto do lado de fora a polícia se preocupava em manter separado os cerca de 400 manifestantes que apoiavam a posse de Lula dos quase 4 mil que protestavam contra a posse.

A posse terminou, e cerca de meia hora depois do fim da posse, terminou também o ministério de Lula. É que uma liminar de um juiz federal anulou a posse do novo ministro. Antes do fim da tarde eram duas liminares impedindo Lula de assumir e perto das 21h já eram mais de 40 ações em todo o país com o objetivo de impedir a posse de Lula.

O dia terminou com os governistas chamando os militantes para as manifestações do dia seguinte. Também neste dia foi aprovada a comissão especial de impeachment com 433, votos.

Lula assinando o termo de posse, sem nenhuma validade.
Leia mais: Lula toma posse como Ministro da Casa Civil; mas liminar suspende ato

Este ficou conhecido como #MortadelaDay – 18/03/2016

Na sexta-feira estava previsto uma manifestação em favor do governo Dilma e em defesa de Lula. Talvez o PT e o governo imaginassem que poderiam fazer frente nas ruas com as manifestações do último domingo.

Mero engano, as manifestações foram um fracasso tanto nas ruas, quanto nas redes sociais. Enquanto os militantes se preparavam para os protestos, pela manhã o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha-PMDB, conseguiu algo raro. Em plena sexta-feira ele conseguiu abrir uma sessão, a primeira que começa a contar o prazo do impeachment.

À tarde os manifestantes pró-Dilma e Lula, ignorando tudo que já vimos e ouvimos, iniciaram seu protesto na Av. Paulista com a presença de Lula. O ato durou algumas horas e em tamanho chegou a 10% dos protestos contrários ao governo.

Já a noite, o Gilmar Mendes, Ministro do Supremo Tribunal Federal, definiu pela nulidade da posse de Lula e que, portanto as investigações a seu respeito ficam a cargo do juiz Sérgio Moro. Um pouco mais tarde a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) anunciou que decidiu por apoiar o impeachment da presidente Dilma. Assim, a semana terminou fria para os governistas, e mostrou que não adiantou colocar a militância na rua.

Leia mais: Manifestantes pró-governo levam milhares às ruas de todo o país

Ufa, acabou a semana!


É pessoal, foi realmente uma semana cheia. Mas as próximas não prometem serem menos agitadas e com menos surpresas. O jeito é acompanhar tudo e ver até onde isso tudo irá nos levar!

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