sexta-feira, 10 de junho de 2016

É um verdadeiro soco no estômago ver alguém defendendo uma republiqueta cambaleante


Esta postagem é uma resposta ao texto "Ver um jovem defender a monarquia é verdadeiro soco no estômago" de Luiz Prisco publicado no site Metropoles.

A beleza da liberdade e da democracia é poder se posicionar e confrontar suas ideias e posicionamentos de forma civilizada com aqueles que pensam diferente. Por isso, é importante que o autor deste texto lamentável não fique sem uma resposta a altura das bobagens que escreveu.
Na mesma semana que assistimos a uma cena bestial, onde vimos um estudante sendo agredido de forma covarde por simplesmente portar uma bandeira do Império do Brasil e defender a restauração da monarquia, temos também a infelicidade de nos deparar com este texto lamentável. Sinceramente eu prefiro acreditar que o texto demonstre um total desconhecimento do autor de história, principalmente do Brasil e que não seja uma tentativa banal de desmoralizar a Monarquia Parlamentar Constitucional.

Para facilitar sua leitura, irei comentar e responder ponto a ponto, parágrafo por parágrafo as colocações feitas no texto de Luiz Prisco, então, vamos ao início do texto:

Cara, quem perdeu o juízo foi você!
É errado cair na porrada com alguém por discordar de sua opinião. Vou repetir, para enfatizar. Não se pode bater em uma pessoa que defende a monarquia. Porém, sem dúvidas, é preciso falar: “Cara, você perdeu o juízo”.
Bom, vamos iniciar focando na terceira linha do primeiro parágrafo. Ele diz que quem defende a monarquia perdeu o juízo. Bom, estou aguardando ansioso os fantásticos argumentos que irão demonstrar que alguém que defenda a restauração da monarquia seja alguém que perdeu o juízo. Talvez ele irá conseguir mostrar a grandiosidade destes 127 anos de república em nosso país.

Uma república nascida de um golpe de estado sem a mínima participação da população, um golpe de estado motivado por questões pessoais e que nada tinham de interesses nacionais, um golpe que vem da revolta da libertação dos escravos, um golpe que tirou o país da estabilidade e o jogou em uma ditadura e crise econômica. Mas talvez Luiz Prisco conheça fatos que eu desconheço, vamos continuar.

Com certeza há algo de muito errado nas universidades
As cenas de barbárie protagonizadas na UnB quando um estudante foi espancado por portar uma bandeira do Brasil Império são lamentáveis — sobretudo por ocorrem em uma universidade, onde o livre pensamento é fundamental.
Este é o trecho do texto em que concordamos em totalidade. O que ocorreu no campus da UnB é inadmissível e merece um posicionamento firme da reitoria da universidade. O ambiente acadêmico é o ambiente por excelência do conflito de ideias, mas quando este conflito se dá com força bruta é um claro sinal que algo não vai bem. Se alguém não pode expôr livremente suas ideias em uma universidade, como iremos gerar debates e procurar soluções de forma democrática?

Respeitar a opinião alheia é defender o direito a liberdade e de livre expressão, coisa que muitos universitários, infelizmente, não fazem ideia do que sejam. Com isso vale lembrar o glorioso período Imperial do Brasil, onde os jornais republicanos que haviam circulavam livremente sem nenhum tipo de censura ou impedimento. Inclusive no Rio de Janeiro, capital do Império, circulavam livremente jornais com críticas e charges diretas ao imperador Pedro II, que sempre prezou pela liberdade de expressão e de imprensa. Coisa muito diferente na república, que logo após o 15 de novembro instaurou uma ditadura que veio acompanhada de uma ampla censura aos jornais existentes.

A republiqueta dos trancos e barrancos
No entanto, é um absurdo imaginar que, em pleno 2016, um jovem defenda a monarquia. O Brasil, aos trancos e ditaduras, é uma República. E, por mais lava jatos e mensalões que existam, a democracia ainda é o sistema que promove maior igualdade e justiça social.
Não demorou e voltamos a discordar! O autor aqui faz uma clara confusão entre república e democracia. Como se uma fosse sinônimo da outra. Vale lembrar que nem sempre, na verdade quase nunca, as repúblicas são democráticas e que os países mais democráticos do mundo nem todos são republicanos. Para comprovar o que digo, basta olhar a lista dos países mais democráticos dos mundo e ver que dos 10 primeiros colocados, 7 são monarquias.

Portanto, olhando para o ranking e fazendo a mesma comparação feita pelo autor, eu posso concluir que para promover democracia e justiça social eu realmente devo preferir a monarquia. No Brasil, aliás, não é difícil constatar o quanto perdemos após a implantação da república. O surgimento das favelas, os seguidos golpes e ditaduras, os governos populistas e autoritários que forjaram esta republiqueta aos frangalhos que sustentamos com tanto sofrimento. É injusto e covarde impor ao povo brasileiro sistema tão cruel.

Mas talvez a maior crueldade seja esconder dos brasileiros o nosso passado Imperial Glorioso, de um país que funcionava e tinha sua estabilidade garantida pela figura imperial. Hoje, como bem escreveu o autor a república segue aos trancos e barrancos. São 127 anos de trancos e barrancos e sinceramente espero que os tempos dos trancos e barrancos estejam chegando ao fim.

O desconhecimento gera opiniões sem sentido
A monarquia é muito mais do que as peripécias da midiática Família Real inglesa. Apoiá-la significa tirar do povo o poder de escolha de seus representantes. É retroceder mais de 300 anos e aceitar que os governantes são fruto do direito divino ou de um suposto “sangue azul” — nem vamos falar da tirania.
Aqui o autor demonstra que não conhece em nada como funciona as monarquias modernas e que talvez imagine Espanha, Canadá, Dinamarca e Reino Unido como lugares onde os monarcas tenham pleno poder e controlem seus países com punho de ferro. Aliás, será que o autor sabe que exitem tantas monarquias assim funcionando plenamente no mundo?

O autor continua sua terrível confusão entre liberdade, democracia, república e monarquia. Para ele parece funcionar assim: monarquia = absolutismo e república = democracia. Infelizmente para ele, não é bem assim. Como já mostrei acima, não há a menor relação entre democracia e república, muito menos entre a tirania e monarquia. Aristóteles nos ajuda a compreender isso muito bem e nos mostra que qualquer forma de governo é passível de corrupção. Mas para não tornar as coisas mais difíceis, vamos deixar Aristóteles fora desta conversa. Mas recomendo que leiam o livro "Política" deste grande filósofo grego para entender o que estou dizendo. Mas, vamos adiante.

O desconhecimento histórico provoca opiniões lamentáveis!
Ostentar a bandeira da monarquia é esquecer o sangue derramado na Revolução Francesa e ignorar a luta de inconfidentes e abolicionistas. Não é demais lembrar que realeza e escravidão caminharam lado a lado por aqui.
Nossa! Como começar a comentar isso? Como professor de história, chego ficar espantado com tanta confusão junta em apenas três linhas de texto. Sinceramente me incomoda muito quando vejo alguém comentar sobre algo que não conhece.

Certamente eu gostaria de saber qual a relação entre a revolução francesa e a nossa monarquia. A Revolução Francesa buscava por fim ao absolutismo do rei e para isso a primeira proposta foi a criação de uma monarquia constitucional, onde o rei dividiria poderes com o parlamento. Apenas com o desenrolar da revolução e seu caráter sangrento motivado por Robespierre e outros revolucionários é que dar cabo na família real e a instauração de uma república passou a ser vista como uma opção.

Já no nosso caso, o Império do Brasil nunca foi absolutista. O Império já nasceu como uma monarquia parlamentar constitucional onde os deputados do parlamento eram eleitos. E durante todo o período do Império houve eleições parlamentares. Portanto é estranho ver as colocações do autor. E a inconfidência? Onde entra? Se a inconfidência ocorreu ainda no período colonial, qual sua relação com o Império? De fato os inconfidentes lutaram contra a coroa portuguesa, mas pelo fato do Brasil não ter liberdade de comércio e pelas altas taxas, já que como colônia, estávamos subjugados a Portugal.

E se por um lado o Império herdou a tristeza da escravidão, por outro não há como negar que a Família Imperial sempre procurou por fim neste comportamento desumano. Tal foi o ênfase da Família Real em acabar com com a escravidão, que a Lei Áurea foi vista como a gota d'água e fez muitos da elite se aproximarem do republicanos. Aliás, o manifesto republicano de 1870 nada fala sobre o fim da escravidão e finge que ela não existe no país. Portanto, tentar jogar o peso da escravidão no Império é uma injustiça histórica. Basta olhar os grandes abolicionistas como Joaquim Nabuco e suas posições políticas. Sobre isso convido você a ler o texto que publiquei aqui mesmo neste blog "O que me faz ser monarquista?".

E como a Monarquia Constitucional ameaça a democracia?
Jovens universitários são contestadores naturais. Que bom! É preciso derrubar governos corruptos, mudar o sistema político, combater um Congresso que marcha a passos largos para o conservadorismo. Mas, principalmente, é necessário preservar a democracia —  muito maior do que a briga entre coxinhas e mortadelas.
Mas, novamente eu pergunto: como a monarquia constitucional pode ameaçar a democracia? O que leva o autor do texto continuar espancando esta tecla? Espero que seja desconhecimento sobre o tema, e não uma tentativa de menosprezar a monarquia deliberadamente associando ela ao autoritarismo. Por outro lado, resta saber que democracia ou liberdade o autor defende. Já que parece que os jovens podem mudar o sistema politico, desde que não seja para a monarquia. Podem contestar tudo, mas não podem ser conservadores. Me parece uma liberdade que já começa limitada e isso não me agrada!

Para finalizar, o soco no estômago
Apanhar por ter uma opinião é algo deplorável. Mas ver jovens defendendo a monarquia é um verdadeiro soco no estômago.
Me parece que o autor se sente extremamente ofendido ou assustado ao ver surgir uma juventude monárquica. E pelo seu texto vejo que este medo vem do seu total desconhecimento de como funcionam as monarquias constitucionais ao redor do mundo. Mas infelizmente muitos repetem os clichês e mentiras apresentadas neste texto e acreditam piamente no que repetem, sem nunca ao menos terem pesquisado sobre o assunto.

Mas algo que realmente me atinge como um soco no estômago é ver alguém que diz defender a democracia, defender esta republiqueta falida que faz nosso povo sofrer a 127 anos. Os republicanos brasileiros é que precisam ter vergonha de sua história e não os monarquistas. A república inventou uma história para esconder suas mazelas, mas parece que a população aos poucos vai acordando do pesadelo. Com muito esforço vai conhecendo sua própria história e vendo que há uma alternativa.

E apesar de não poder comparar o ato grotesco de violência ocorrido no campus da UnB e este texto, os dois surgem do mesmo lugar. Ambos são reflexo do medo que o crescimento do movimento monárquico tem provocado. Tanto a agressão na UnB quanto este texto mostram que o movimento monárquico é real e está crescendo, crescendo ao ponto de incomodar, e isso é muito bom. Espero que realmente estejamos entrando num período de debates políticos honestos e claros, onde os pontos de vista possam ser defendidos e questionados.

Os brasileiros estão descobrindo a monarquia e buscando saber. A juventude que defende a monarquia existe e é crescente. A monarquia está se tornando uma realidade na mente e nos corações dos brasileiros mesmo com todas as mentiras propagadas. Sendo assim, lamento informar ao autor que ainda sentirá "muitos outros socos no estômago". 

Um comentário:

  1. Lamentável é ver essa república que está aí há 127 anos e não consegue manter estabilidade política e econômica por mais de 20.
    Pelo amor de Deus, o escritor desse texto mal sabe a diferença entre monarquia parlamentarista e absolutista.

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