segunda-feira, 4 de julho de 2016

A um mês dos jogos. Orgulho ou desespero?

Estamos a 30 dias do início dos Jogos Olímpicos na cidade Maravilhosa e é inevitável não se perguntar: o que ganhamos com isso? A “Cidade Maravilhosa” esta longe de poder ser chamada de maravilhosa, o estado do Rio pode ter sua situação financeira definida como calamitosa, os serviços básicos do estado estão ameaçados de parar e a insegurança reina entre os que precisam circular pela “cidade olímpica”.

Desde a escolha do Rio de Janeiro para sediar os jogos olímpicos de 2016 os brasileiros ficaram felizes, mas não havia quem se perguntasse como afinal faríamos isso. O tempo foi passando e à medida que víamos se aproximando da Copa de 2014 nós fomos percebendo que as oportunidades para o Brasil mostrar seu avanço e organização iam na verdade mostrar nossas mais graves mazelas.

O legado prometido da Copa 2014 se resumiu a um fiasco dentro de campo e uma coleção de esqueletos de obras abandonadas em todo o país. Escândalos de corrupção, aumento dos custos das obras e mortes de inocentes parece ter sido o único legado deixado pela Copa 2014.

Cadê o otimismo nosso de cada dia?

Que o brasileiro é um povo feliz e festivo não há dúvidas. Mas parece que até este otimismo tem prazo de vencimento. E pelo jeito terminou este prazo antes dos jogos. Não há quem conheça a situação que passa a cidade e o estado do Rio de Janeiro que não se escandalize.

Afinal, como ficar otimista e ansioso por um evento como as olimpíadas em um estado onde as escolas estão sem aulas, os hospitais estão em agonia e os órgãos de segurança pública pedem socorro aos governantes? Não há otimismo que se sustente diante da realidade atual.

O decreto de calamidade do governador em exercício, Francisco Dornelles, foi a gota d’água nas esperanças dos brasileiros de boa vontade. Neste momento todo o espetáculo dos jogos parece apenas um grande “teatro para inglês ver”. Um teatro macabro que está custando muito caro ao nosso povo, basta visitar qualquer unidade básica de saúde do estado para conferir o que escrevo.

Mas, por favor, não pensem que por escrever estas linhas eu tenha algo contra os jogos. De forma alguma, ao contrário, sou grande admirador deste maravilhoso exemplo que nos mostra como o ser humano é capaz de feitos impressionantes. A questão, porém, é que não vejo motivos para sacrificar toda uma população para que tais jogos aconteçam.

Valeu falir todo o estado para a realização dos jogos? Afinal, quem irá se beneficiar com os jogos, já que nem orgulho foi oferecido a nossa população? Nossos atletas foram mesmo reparados e tiveram o apoio necessário para nos representar nos jogos que se aproximam? Estas são as perguntas que cada brasileiro se faz neste momento. E como a maioria destes brasileiros, temo saber que as respostas não são favoráveis em nenhuma destas perguntas.

Nestas condições não há como manter otimismo algum. Mesmo que os organizadores e os governantes tentem passar a imagem que tudo vai bem, a verdade nos esbofeteia todos os dias sem nos dar a menor oportunidade de criar ilusões. Talvez os estrangeiros aproveitem bem os jogos, talvez ao menos eles irão se divertir enquanto os brasileiros estarão muito ocupados sobrevivendo.


Durante os jogos irei torcer por cada brasileiro que entrar em uma arena. Pois sei que longe dos esportes badalados (Futebol, Vôlei e alguns outros), nossos atletas buscam honrar nosso país com muita raça e perseverança e quase sempre sem nenhum apoio. Vencendo ou perdendo, estes brasileiros merecem ser aplaudidos, apoiados e receber nosso respeito. A todos os outros que buscam apenas lucrar e sugar a população, não devem receber nada mais que desprezo.

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